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turma 52

No dia 4 de dezembro, a Escola Superior de Dança abriu as portas a toda a comunidade para acolher mais uma apresentação de Repertório Português, desta vez com excertos da obra “Sagração da Primavera”, de Olga Roriz, no âmbito da unidade curricular Estudos de Repertório Português, ministrada pela Professora Sylvia Rijmer.

Foram muitas as pessoas que se juntaram a nós para assistir ao trabalho desenvolvido pela Turma 52, do 3.º Ano da Licenciatura em Dança, que trouxe ao estúdio uma interpretação intensa, rigorosa e profundamente ligada ao legado artístico desta criação.

A apresentação refletiu o envolvimento dos estudantes com a obra e com o peso histórico da estreia polémica de Nijinsky/Stravinsky, agora revisitada numa perspetiva contemporânea, através de uma visão intensa e envolvente da peça, inspirada na linguagem coreográfica de Olga Roriz — uma abordagem que destaca o poder da sua sagração da primavera que atravessa toda a obra.

 

 

Um dos momentos mais significativos desta aula aberta foi a honrosa presença da coreografa Olga Roriz na ESD, permitindo aos alunos um contacto direto com uma das figuras centrais da Dança em Portugal. Esta proximidade com criadores e intérpretes profissionais reforça o compromisso da Escola Superior de Dança com a formação artística de excelência e com a transmissão viva do património coreográfico nacional.

 

 

“O tempo parece não ter passado desde a polémica estreia de Nijinsky/Stravinsky. Mas o tempo passou e a obra perdura no nosso imaginário cultural.
O fascínio e respeito pela partitura foram determinantes para a minha interpretação, construção dramatúrgica e coreográfica da peça. A fidelidade ao guião de Stravinsky foi, desde o início, o único caminho com o qual me propus confrontar.
No entanto, dois aspectos se distanciaram do conceito original. Visões personalizadas que imprimem à história numa lógica mais possível à minha compreensão, mais aprazível à minha manipulação. Em primeiro lugar concedi ao personagem do Sábio um protagonismo invulgar, sendo ele que inicia a peça. Ainda em silêncio e durante todo o Prelúdio habita o espaço solitário e vazio traçando nos seus gestos um percurso de premunição, antecipação e preparação do terreno para o ritual.
A segunda opção, que se distancia drasticamente do conceito original, reside no facto de o personagem da Eleita não ser tratada como uma vítima no sentido dramático da questão. A minha Eleita sente-se uma privilegiada e quer dançar até sucumbir. Em nenhum momento se sente obrigada ou castigada nem o medo a invade. Ela expõe a sua força e energia vitais lutando cegamente contra o cansaço.” – Olga Roriz

 

Texto e fotografia da autoria do Centro de Produção